photo: rogério barroso. Foto nº 1823 - Exposição de André Saraiva.
Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
domingo, 7 de setembro de 2014
No conjugar amor
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
Coisas diversas do saber comum.
A transfusão que existe no beijar
quando a ternura é líquida
E a transparência
opaca
do suor
quando o amor é feito
E o jeito que nos fica
de namorar o corpo
E o exagero em tudo que se diz
nas juras repetidas
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
e que aprendemos juntas.
Coisas diversas do saber comum.
A transfusão que existe no beijar
quando a ternura é líquida
E a transparência
opaca
do suor
quando o amor é feito
E o jeito que nos fica
de namorar o corpo
E o exagero em tudo que se diz
nas juras repetidas
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
e que aprendemos juntas.
sábado, 6 de setembro de 2014
Livro do Desassossego
Soam — devem ser oito as que não conto — badaladas de horas de sino ou relógio grande. Acordo de mim pela banalidade de haver horas, clausura que a vida social impõe à continuidade do tempo fronteira no abstrato, limite no desconhecido. Acordo de mim e, olhando para tudo, agora já cheio de vida e de humanidade costumada, vejo que a névoa que saiu de todo do céu, salvo o que no azul ainda paira de
ainda não bem azul, me entrou verdadeiramente para a alma, e ao mesmo tempo entrou para a parte de dentro de todas as coisas, que é por onde elas têm contato com a minha alma.
Perdi a visão do que via. Ceguei com vista. Sinto já com a banalidade do conhecimento. Isto agora não é já a Realidade: é simplesmente a Vida.
... Sim, a vida a que eu também pertenço, e que também me pertence a mim; não já a Realidade, que é só de Deus, ou de si mesma, que não contém mistério nem verdade, que, pois que é real ou o finge ser, algures exista fixa, livre de ser temporal ou eterna, imagem absoluta, idéia de uma alma que fosse exterior.
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