Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Surrealista

cabelos escorridos
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos

nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego

palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho

caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas

sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia

terça-feira, 18 de junho de 2013

Morrer

língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor

línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços

seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios

ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto

chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados

ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera

morremos para o mundo...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Maçã-do-amor

abrir pétalas com
a língua
explorar
seus cheiros e sabores

levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente

nos momentos em que
nada valer a pena
ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor

lembra-se?

domingo, 16 de junho de 2013

Seda

enquanto nascem
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos

disfarce táctil
fácil
escondem gozos

uma tênue como seda
esconde o pecado.

sábado, 15 de junho de 2013

Sumo

tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.

em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.

e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Gozo

silencioso...

solto
disperso
aberto

delicioso...

desprendido
desatado
desobrigado

viver...

sem rumo
sem nada
sem ter

em regozijo
        num gozo intenso

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fêmeas

Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.

Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.

sábado, 18 de maio de 2013

Raízes


enfio
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Queda


bailar em nuvens
névoas
despencar em tênues
fios de linha

teias-de-vida

tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat

de palpável:

sua tosse
     seu corpo
         queda-
             livre

domingo, 7 de abril de 2013

Animal


seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal

sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
     irresponsavelmente...
         animal.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Tempos


hastes esguias
lançam roxos sobre
a primavera
pedestres caminham
nas nuvens
homens anseiam alturas
verticalizam

tempos de consumo
descrenças
de prédios sem janelas
de deuses perdidos
na história
de casebres sem luzes
nas varandas

ruas vermelhas
não cabem em telas
soterradas
sementes aguardam o momento
para reflorestar

vôo branco
na distância
transparência de mar
o verde desce
debruçado
sobre um rio

a contra-mão da vida
sinalizada
por uma bandeira vermelha
tempos de secas
e pragas
de argamassa em paliçada
corredeiras a nos escorrer
por labirintos

sinto cheiros
um perfume conhecido
exala de seu corpo adormecido:
tempos de amor

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Amantepoesia


tê-la
silhueta e essência
em claros-escuros
sem ser a outra

atrair
meus minutos vazios
em sensuais
signos-fascínios

aprisioná-la
ao redor de mudas
máscaras-vozes
amarras

suas unhas absorvem
ontens
aderem hojes
rompem o amanhã

um sol espreita
seus passos
serem roubados
pelo mar

para amantepoesia

não há lugar
quando é dia

domingo, 9 de dezembro de 2012

Seda

enquanto nascem
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos

disfarce táctil
fácil
escondem gozos

uma tênue como seda
esconde o pecado.