Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sobre corpos e ganas

Se a mulher caminhava
a saia dela
se abria e se fechava

Um olho via
o que saia mostrava
enquanto se abria

E desejava
o que a saia escondia
quando se fechava

E rezava
para que se movesse
se a mulher parava

Se ela se movia
a longa saia
se fechava e se abria

E revelava
o que o olho mais queria
a alma mais ansiava

Na fenda aberta
o relâmpago
da perna exposta

Era mancha de sol
limpando a carne
de todo mal

Um olho comia
a mulher anônima
e ela nem sabia

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Mulher que ama fica úmida

Mulher que ama fica úmida
faz água
tem nos olhos um brilho molhado
de lágrima perdida
intenso como vidro lavado
No fundo da mulher que ama
há ternuras líquidas
desejos derretidos em doces resistências
afetos quentes escorrendo dentro
paredes meladas
rios invisíveis
que nascem da sensação de amar
Cristalizações se dissolvem
o que era duro passa a ser macio
o que era pesado leve
o áspero suave
Num certo ponto
mulher que ama arrebenta
vaza por tudo