1. Nunca os portugueses pagaram tantos impostos. Não
seria preciso invocar as estatísticas oficiais para chegar a esta
conclusão, uma vez que os portugueses sabem bem que, nos últimos anos,
foram cada vez mais os dias que sobraram ao fim do mês. Mas, para o caso
de alguém ainda ter dúvidas, é o INE quem o diz, preto no branco: no
ano passado, a carga fiscal foi de 34,5% do PIB, o valor mais alto em
quatro décadas de democracia. Como dizia Miguel Cadilhe, no auge da
crise, mas ainda antes do pico do saque fiscal, não é carga, é
sobrecarga. E isso explica, pelo menos em parte, a desconfiança
generalizada quando alguém vem sugerir que se aumente ou crie impostos,
como fez Mariana Mortágua, a flamante deputada do Bloco de Esquerda.
Ainda por cima recolhendo o aplauso de uma ilustre plateia socialista,
ou seja, perante os que têm neste momento o poder de apertar ainda mais o
garrote.
Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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sexta-feira, 23 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Os muros
1.O muro será construído em França, mas é o Governo britânico que o
paga. Duas barreiras de cimento, com mais de quatro metros de altura, ao
longo da estrada que leva ao porto de Calais, que se somam ao arame
farpado com que já se procurava conter os milhares de migrantes,
sobretudo africanos, que sobrevivem na "Selva" à espera de uma boleia
para o outro lado da Mancha. Rapidamente ficaria demonstrada a sua
inutilidade, se o objetivo fosse mesmo o de travar a passagem de uns
quantos deserdados. Acontece que a construção do muro serve sobretudo
aos dois governos para fazer passar uma mensagem política que vai de
encontro aos receios de uma grande parte (provavelmente já a maior
parte) dos cidadãos dos dois países: os imigrantes não são bem-vindos,
tanto dá que sejam muçulmanos da Síria, como cristãos da Eritreia, que
fujam da guerra ou da fome.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
O salário de Mexia
Bem prega a Comissão Europeia, como Frei Tomás (Torquemada para os
amigos), por políticas virtuosas. Não temos emenda. Fazemos umas contas
simplórias, como dividir 530 euros por 30 dias, e indignamo-nos com os
16,60 euros que isso dá. Quem vive com semelhante miséria? Uma pergunta
que apenas reflete uma visão pouco qualificada sobre o mercado de
trabalho. Reparem, em alternativa, no elaborado argumentário dos
qualificados, e por isso bem pagos, funcionários da Comissão Europeia:
"Os aumentos não parecem alinhados com a evolução macroeconómica em
termos de inflação, desemprego e crescimento da produtividade". Isto
sim, é que é falar.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Toque de finados
No próximo domingo, há eleições em Espanha. E
anunciam-se mudanças radicais no seu mapa político. Um fenómeno,
acrescente-se, que não é exclusivo dos nossos vizinhos ibéricos.
Tão-pouco dos países do Sul, os mais afetados pela crise e pelas medidas
de austeridade. Um pouco por toda a Europa, a alternância tradicional
entre conservadores e sociais-democratas dá sinais de estar a ser
substituída por outro tipo de alinhamentos. O desencanto de uns, a raiva
de outros e a mobilização política dos restantes, tendo como pano de
fundo comum um processo de globalização em que se aprofundam as
desigualdades e um Mundo cada vez mais inseguro, estão a dar lugar a uma
reação de protesto e reconfiguração política que se exprime nas urnas
de formas bem diferentes.
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