Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do
sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o
coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o
verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da
política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de
viver.
Carlos Drummond de Andrade
Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Catilina
Eu sou o solitário e nunca minto.
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.
De tudo desligado, livre sinto
Cada coisa vibrar como uma lira,
Eu - coisa sem nome em que respira
Toda a inquietação dum deus extinto.
Sou a seta lançada em pleno espaço
E tenho de cumprir o meu impulso,
Sou aquele que venho e logo passo.
E o coração batendo no meu pulso
Despedaçou a forma do meu braço
Pra além do nó de angústia mais convulso.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 3 de junho de 2012
Vá-se lá saber porquê?
Paulo Portas Ministro dos Negócios Estrangeiro foi a Santarém à Feira da Agricultura, falar disso mesmo!
Somos um País Sui Generis.
Somos um País Sui Generis.
Quando
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.”
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Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do mar (1947)
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