Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve

segunda-feira, 4 de junho de 2012

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.


Carlos Drummond de Andrade

Fotos Minhas


photo: rogério barroso. Foto nº 326. Graffiti.

Sophia Bilides - Song for the Winter Solstice

Catilina

Eu sou o solitário e nunca minto.
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto.

De tudo desligado, livre sinto
Cada coisa vibrar como uma lira,
Eu - coisa sem nome em que respira
Toda a inquietação dum deus extinto.

Sou a seta lançada em pleno espaço
E tenho de cumprir o meu impulso,
Sou aquele que venho e logo passo.

E o coração batendo no meu pulso
Despedaçou a forma do meu braço
Pra além do nó de angústia mais convulso.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Fotos Minhas


photo: rogério baroso. Foto nº 325. Graffiti.

domingo, 3 de junho de 2012

Vá-se lá saber porquê?

Paulo Portas Ministro dos Negócios Estrangeiro foi a Santarém à Feira da Agricultura, falar disso mesmo!
Somos um País Sui Generis.

Fotos Minhas


photo: rogério barroso. Foto nº 324. Graffiti.

Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar 
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.”

Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do mar (1947)

Fotos Minhas


photo: rogério barroso. Foto nº 323 - Graffiti.