Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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quinta-feira, 14 de novembro de 2024

sábado, 22 de junho de 2024

Catarina, simplesmente

 Cravo vermelho, flor da resistência,

Sangue derramado em luta ardente,

Na terra de Catarina Eufémia,

Ergue-se o grito, o clamor presente.


Sangue, suor, batalha ferrenha,

Contra a injustiça e o poder opressor,

Catarina, símbolo de coragem,

Sua memória é força, é amor.


Na terra que acolhe sonhos e dores,

Crescem cravos, vermelhos de luta,

E o sangue que rega a esperança,

Nunca se esquece, sempre reluta.


Catarina, mártir e guia,

Seu sacrifício, chama viva,

Nos corações de quem combate,

Pela liberdade, sempre altiva.


Cravo vermelho, sangue valente,

Na terra de Catarina Eufémia,

A resistência se faz presente,

Num futuro de paz, justiça e poema.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Mulher

Na intimidade do amor, a nudez revelada, A mulher, sublime em sua essência exposta, Na cumplicidade dos corpos, a paixão reposta, Um elo profundo de entrega desvelada.

Mas nem sempre a trama é tão bem arquitetada, Pois a traição, astuta, espreita, estraçalha e devora, E no jardim do afeto semeia a dor que aflora, Desfazendo promessas, deixando marcas gravadas.

Ah, amor! Esse sentimento tão puro e desleal, Que acolhe e dilacera, que abraça e traz o vendaval, Na dualidade dos amantes, um jogo desafiador.

A mulher, vítima ou algoz, na trama do destino, Desvenda a complexidade desse enredo divino, Onde amor, nudez, mulher e traição se entrelaçam com fervor.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Os teu olhos

Nos teus olhos, encontro o brilho Que me atrai como um íman São espelhos de um mundo tranquilo Que me envolve num doce afã

A tua boca é a porta do encanto Onde se revelam segredos sem fim Ela dança, num suave pranto, E o meu coração sorri por mim

E, entre palavras sussurradas ao vento, A flor do nosso amor floresce Num jardim cheio de sentimento Que o tempo jamais esquece

Olhos que me prendem a alma Íman que me atrai e envolve Boca que é música e calma Flor que o nosso amor resolve

Nesta dança de sentimentos, Em versos de puro ardor, Unem-se olhos, íman, boca e flor, Num poema escrito com encantos e momentos.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Na alquimia do corpo

No âmago do meu ser, o corpo é mel e suco, Flui como a lua em noite de menstruação, Um enxame de abelhas, vida em pleno alvoroço, No doce licor que nutre, brota a criação.

De leite e mel, meu ser é feito e refeito, Em cada célula, o segredo da vida ecoa, Neste solo sagrado, o mistério é desfeito, E a natureza em mim, em doce dança entoa.

Do ventre, a vida floresce em cada estação, Ciclos que se entrelaçam como as marés, E na alquimia do corpo, em profusão, A essência da mulher se faz entrelaçar aos céus.

Oh, corpo divino que abriga o milagre, Guardião de segredos ancestrais, És templo e morada do que é intangível, O sagrado mistério que em ti se faz.

Que em teu regaço, a vida siga seu curso, Com a força das águas, a calma do luar, E que a cada ciclo, floresça o universo, Em teu corpo, mulher, a Terra a se renovar.

Virgindade


Na suave pétala da rosa, Chora a melancolia em mim. Guarda a virgindade oculta, Neste coração que é jardim.

Lágrimas brotam, gotas do pranto, Em mim ecoa a dor profunda. Preservada a pureza, a candura, Na alma que se desponta.

A rosa de cor vermelha, Simboliza o amor e a paixão. Mas meu pranto pinta de cinza, A tristeza da solidão.

Oh, virgindade, tesouro escondido, Sinal de pureza, castidade. Em segredo, guardo-te em mim, No peito, a tua verdade.

Choro em cada pétala caída, Lamento a inocência perdida. Mas a rosa, em sua beleza, Anuncia que há vida ainda.

Em cada lágrima que derramo, Floresce uma nova esperança. E, na virgindade que preservo, Encontro forças para a bonança.

Assim, sigo adiante, ó rosa, Com teu perfume a me guiar. E, no choro que transborda em versos, Encontro a paz a me consolar.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Cada chão uma unicidade

aqui sei so paz. fundo do mar são montanhas que dançam. alforrecas viram estrelas já afogadas, polvo é um sinaleiro em batota. aqui sei só carcerias. água não é uma acumulação de mundos? linha de água não é espelho para céu narcisar-se? respiração aquática não é função de guelras? aqui sei só chão. ONDJAKI

sábado, 3 de julho de 2021

Se eu fosse barco

Se eu fosse barco

Gostaria de navegar à bolina
Bailando ao sabor das ondas
Sempre com terra à vista
Tendo como horizonte
A nossa praia, onde fundearia 
A embarcação
Seguiria o teu cheiro e estou certo
Que me levaria à nossa duna.

RB

domingo, 4 de abril de 2021

Y aqui

 Y aquí


“Soy mestizo”, grita un pintor de paleta
encendida,
“soy mestizo”, me gritan los animales
perseguidos,
“soy mestizo”, claman los poetas peregrinos,
“soy mestizo”, resume el hombre que me
encuentra
en el diario dolor de cada esquina,
y hasta el enigma pétreo de la raza muerta
acariciando una virgen de madera dorada:
“es mestizo este grotesco hijo de mis entrañas”.
Yo también soy mestizo en otro aspecto:
en la lucha en que se unen y repelen
las dos fuerzas que disputan mi intelecto,
las fuerzas que me llaman sintiendo de mis
vísceras
el sabor extraño de fruto encajonado
antes de lograr su madurez de árbol.
Me vuelvo en el límite de la América hispana
a saborear un pasado que engloba el continente.
El recuerdo se desliza con suavidad indeleble
con el lejano tañir de una campana.
[1954-1956]

segunda-feira, 8 de março de 2021

Quise llevar en la maleta…


Quise llevar en la maleta
el sabor fugaz de tus entrañas
y quedó en el aire circular y cierto,
el insulto a lo viril de mi esperanza.
Ya me voy por caminos más largos que el
recuerdo
con la hermética soledad del peregrino,
pero, circular y cierto, a mi costado
algo marca el compás de mi destino.
Cuando al final de todas las jornadas
ya no tenga un futuro hecho camino,
vendré a reverdecerme en tu mirada
ese riente jirón de mi destino.
Me iré por caminos más largos que el recuerdo
eslabonando adioses en el fluir del tiempo.

 

Ernesto Che Guevara

quinta-feira, 4 de março de 2021

POEMAS INDOCHINESES

 CANTOS ALTERNADOS


Uma Rapariga


Sou uma peça de cor-de-rosa,
ondulando no mercado.
Não sei em que mãos irei cair.


Meu corpo é como um poço aberto no meio do 
                                                     caminho;
nele alguns lavam o rosto,
lavam neles outos pés.


Tivesse este rio uma medida de largo,
que eu faria uma ponte, amigo, com um cordão do 
                                                     meu corpete.


Um Rapaz


Rapariga que levas água com um balacim de junco,
dá-me um balde dessa água para regar o plátano.
Sobre o plátano mais belo, sobre o plátano mais verde,
a fénix virá pousar.

Amo-te primeiro por teus cabelos em rebo de galo.
Segundo, amo-te pelo modo como falas.
Terceiro, amo-te por causa do teu rosto admirável.
Quarto, amo-te pelos teus vestidos, que são da cor
                                                      do teu rosto.

Quinto, amo-te porque trazes ganchos nos cabelos
                      e trazes na mão um leque da China.
Sexto, amo-te por causa dos teus cabelos verdes.
Sétimo, amo-te porque teus pais um dia te puseram
                                                         no mundo.
Oitavo, amo-te por causa dos teus olhos de fénix que
                                      me olham profundamente.
Nono, amo-te porque vamos estar unidos um ao outro.
E amo-te, em décimo lugar, porque é a minm
           unicamente que te desejas unir para sempre.


HERBERTO HELDER, in O BEBEDOR NOCTURNO

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

POEMAS DOS PELES-VERMELHAS

 CANÇÃO DE AMOR


Levantei-me cedo, cedo - e era azul

toda a manhã.

Porém, o meu amor já tinha partido:

- já tinha atravessado as grandes portas da aurora.


No monte Papago a presa na agonia

olhou-me

com os olhos da minha amada.


Herberto Helder, in O BEBEDOR NOCTURNO

domingo, 21 de fevereiro de 2021

ROSAS

 Desfolharam-se as rosas sobre o rio e, passando,

espalharam-se os ventos,


como se o rio fosse a couraça de um guerreiro

rasgada pelas lanças, por onde corresse o sangue das

feridas.


(Ben Al-Zaqqaq)

HERBERTO HELDER, in O BEBEDOR NOCTURNO

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

FUMO

Fumo

 
Longe de ti são ermos os caminhos
Longe de ti não há luar nem rosas
Longe de ti há noites silenciosas
Há dias sem calor, beirais sem ninhos
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas
Abertos sonham mãos cariciosas
Tuas mãos doces, plenas de carinho
Os dias são outonos: choram, choram
Há crisântemos roxos que descoram
Há murmúrios dolentes de segredo
Invoco o nosso sonho, entendo os braços
e é ele oh meu amor, pelos espaços
fumo leve que foge entre os meus dedos.
 
Florbela Espanca

domingo, 1 de novembro de 2020

Quise llevar en la maleta…

 Quise llevar en la maleta…


Quise llevar en la maleta
el sabor fugaz de tus entrañas
y quedó en el aire circular y cierto,
el insulto a lo viril de mi esperanza.
Ya me voy por caminos más largos que el
recuerdo
con la hermética soledad del peregrino,
pero, circular y cierto, a mi costado
algo marca el compás de mi destino.
Cuando al final de todas las jornadas
ya no tenga un futuro hecho camino,
vendré a reverdecerme en tu mirada
ese riente jirón de mi destino.
Me iré por caminos más largos que el recuerdo
eslabonando adioses en el fluir del tiempo.


[1954-1956]

Ernesto Che Guevara, in Poemas e cuentos

sábado, 31 de outubro de 2020

Uaxactún... dormida

 Uaxactún... dormida


A Morley, el desconocido y venerado amigo
Uaxactún, la de grises ensueños,
voz escondida detrás del misterio;
bella durmiente de los bosques nuestros;
he venido a besarte los ruedos,
o la verde maraña del pelo,
o el aire que mide el silencio.
Uaxactún, Uaxactún.
Yo sé que tu muerte es invento del blanco:
te dormiste cansada de andar por los siglos,
compañera sola del monte infinito.
Adivino el comienzo del sueño,
cuando lanzaste tus glóbulos pardos
–retoños del bronce– al fluir de los vientos,
Uaxactún, Uaxactún.
Imitando en atávico gesto
La dispersión que allende los mares
nos enviara el asiático ancestro.
Y cuando lanzaste tu grito de adiós
26 | Ernesto Che Guevara: poemas y cuentos
despidiendo al abuelo del abuelo
del quetzalíneo Tecum.
Uaxactún, Uaxactún.
Y cuando cerraste tus ojos de templos,
y cuando cruzaste tus brazos de estelas
(detenidos relojes que duermen el tiempo).
Más tu embrujada quietud y el silencio
Cederán al influjo de un príncipe bello
que «levántate y anda» te ordene en un beso.
Uaxactún, Uaxactún.
Ya se oye en tu sueño de siglos
el trinar de aurorales alondras,
anunciando el final de la noche
cuando tus nuevos retoños de bronce
se bañan al sol que alumbra SUS tierras.
UAXACTÚN
UAXACTÚN
Es el final del sueño:
se anuncia el príncipe;
deviene el pueblo
con pífanos y tamboriles,
sembrando ejemplos rojos
en el corazón de América.


M.I.O.
[1954-1956]

sábado, 24 de outubro de 2020

Invitación al camino

 Invitación al camino


Para Helena Leivat
Hermana, falta mucho para llegar al triunfo
Hermana, falta mucho para llegar al triunfo.
El camino es largo y el presente incierto;
¡el mañana es nuestro!
No te quedes a la vera del camino.
Sacia tus pies en este polvo eterno.
Conozco tu cansancio y tu desazón tan grandes;
sé que en el combate se opondrá tu sangre
y sé que morirías antes que dañarla;
A la reconquista ven, no a la matanza.
Si desdeñas el fusil, empuña la fe;
si la fe te falla, lanza un sollozo;
si no puedes llorar, no llores,
pero avanza, compañera,
aunque no tengas armas y se niegue el norte.
No te invito a regiones de ilusión,
no habrá dioses, paraísos, ni demonios
–tal vez la muerte oscura sin que una cruz la
marque–
24 | Ernesto Che Guevara: poemas y cuentos
Ayúdanos hermana, que no te frene el miedo,
¡vamos a poner en el infierno el cielo!
No mires a las nubes, los pájaros o el viento;
nuestros castillos tienen raíces en el suelo.
Mira el polvo, la tierra tiene
la injusticia hambrienta de la esencia humana.
Aquí este mismo infierno es la esperanza.
No te digo allí, detrás de esa colina;
no te digo allá, donde se pierde el polvo;
no te digo, de hoy, a tantos días visto...
Te digo: ven, dame tu mano cálida
–esa que conocen mis enjugadas lágrimas–
Hermana, madre, compañera... ¡CAMARADA!
este camino conduce a la batalla.
Deja tu cansancio, deja tus temores,
deja tus pequeñas angustias cotidianas.
¿Qué importa el polvo acre?, ¿qué importan los
escollos?
¿Qué importa que tus hijos no escuchen el
llamado?
A su cárcel de green-backs vamos a buscarlos.
Camarada, sígueme; es la hora de marchar...

[Diciembre de 1954]

 

Ernesto Che Guevara

segunda-feira, 20 de abril de 2020

DA CONDIÇÃO HUMANA

Todos sofremos.
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue,
Que foi do mesmo ventre que surgimos.

ARY DOS SANTOS, in Vinte anos de poesia.

domingo, 29 de março de 2020

POESIA

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura



Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio



Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!



Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao
precipício
e cair verticalmente no vício



Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola



Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come



Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!




Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo



No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra




Cesariny, Mário in ‘Nobilíssima visão, Assírio & Alvim (1991)

sábado, 7 de setembro de 2019

JANEIRO - 1930

Dia 13

Os olhos do meu cão enternecem-me. Em que rosto humano, num outro mundo, vi eu já estes olhos de veludo doirado, de cantos ligeiramente macerados, com este mesmo olhar pueril e grave, entre interrogativo e ansioso?

Florbela Espanca