Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve

quinta-feira, 4 de março de 2021

POEMAS INDOCHINESES

 CANTOS ALTERNADOS


Uma Rapariga


Sou uma peça de cor-de-rosa,
ondulando no mercado.
Não sei em que mãos irei cair.


Meu corpo é como um poço aberto no meio do 
                                                     caminho;
nele alguns lavam o rosto,
lavam neles outos pés.


Tivesse este rio uma medida de largo,
que eu faria uma ponte, amigo, com um cordão do 
                                                     meu corpete.


Um Rapaz


Rapariga que levas água com um balacim de junco,
dá-me um balde dessa água para regar o plátano.
Sobre o plátano mais belo, sobre o plátano mais verde,
a fénix virá pousar.

Amo-te primeiro por teus cabelos em rebo de galo.
Segundo, amo-te pelo modo como falas.
Terceiro, amo-te por causa do teu rosto admirável.
Quarto, amo-te pelos teus vestidos, que são da cor
                                                      do teu rosto.

Quinto, amo-te porque trazes ganchos nos cabelos
                      e trazes na mão um leque da China.
Sexto, amo-te por causa dos teus cabelos verdes.
Sétimo, amo-te porque teus pais um dia te puseram
                                                         no mundo.
Oitavo, amo-te por causa dos teus olhos de fénix que
                                      me olham profundamente.
Nono, amo-te porque vamos estar unidos um ao outro.
E amo-te, em décimo lugar, porque é a minm
           unicamente que te desejas unir para sempre.


HERBERTO HELDER, in O BEBEDOR NOCTURNO

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