Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve

domingo, 23 de março de 2014

FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1389 Trajos de Portugal - Trajo de "dó", Viana do Castelo (Santa Marta do Portuzelo)

FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1388 - Primavera.

Volúpia imortal

Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!

Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!

Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descamados,
Em convulsivas contorções sensuais,

Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!

sábado, 22 de março de 2014

Nick Waterhouse - I Can Only Give You Everything

Pensamento do dia


FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1387 - Rio Tejo.

Poema da Memória

Havia no meu tempo um rio chamado Tejo
que se estendia ao Sol na linha do horizonte.
Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia 
exactamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se parecia.

De joelhos no banco, o busto inteiriçado,
só tinha olhos para o rio distante,
os olhos do animal embalsamado
mas vivo
na vítrea fixidez dos olhos penetrantes.
Diria o rio que havia no seu tempo
um recorte quadrado, ao longe, na linha do horizonte,
onde dois grandes olhos,
grandes e ávidos, fixos e pasmados,
o fitavam sem tréguas nem cansaço.
Eram dois olhos grandes,
olhos de bicho atento
que espera apenas por amor de esperar.

E por que não galgar sobre os telhados,
os telhados vermelhos
das casas baixas com varandas verdes
e nas varandas verdes, sardinheiras?
Ai se fosse o da história que voava
com asas grandes, grandes, flutuantes,
e poisava onde bem lhe apetecia,
e espreitava pelos vidros das janelas
das casas baixas com varandas verdes!
Ai que bom seria!
Espreitar não, que é feio,
mas ir até ao longe e tocar nele,
e nele ver os seus olhos repetidos,
grandes e húmidos, vorazes e inocentes.
Como seria bom!

Descaem-se-me as pálpebras e, com isso,
(tão simples isso)
não há olhos, nem rio, nem varandas, nem nada.

António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'

FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1386 - Aves do estuário do Tejo.

LA OPOSICIÓN VENEZOLANA


FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1385 - Parque do Tejo.

Frases de José Saramago