“O talento ou acaso não escolhem, para manisfestar-se, nem dias nem lugares.”
Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Livro do Desassossego
Não tenho qualidades de chefe, nem de sequaz. Nem sequer as tenho de satisfeito, que são as que valem quando essas outras faltam.
Outros, menos inteligentes que eu, são mais fortes.
Talham melhor a sua vida entre gente; administram, mais habilmente, a sua inteligência. Tenho todas as qualidades para influir, menos a arte de o fazer, ou a vontade, mesmo, de o desejar.
Se um dia amasse, não seria amado.
Basta eu querer uma coisa para ela morrer. O meu destino, porém, não tem a força de ser mortal para qualquer coisa. Tem a fraqueza de ser mortal nas coisas para mim.
Último soneto
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
El primer fotógrafo que enceró el bigote de Dalí
"La moda es la expresión de un tiempo o momento determinado, la elegancia es otra cosa diferente", el que habla o habló así es elfotógrafo Horst P Horst (1906-1999), quien se llamó de esta manera a partir de 1944 al adquirir la nacionalidad estadounidense. Había sido registrado en Alemania como Horst Paul Albert Bohrmann, pero su apellido se parecía demasiado al del nazi Martin Bormann y quiso deshacerse de él al hacerse americano, como si renegando del apellido pudiese renunciar a su propia historia.
'Horst: el fotógrafo del estilo' va más allá de las imágenes conocidas hasta el aburrimiento que él tomó y que ocuparon durante 60 años la portada y páginas interiores de la revista Vogue, primero en París y después en Nueva York; pasando del blanco y negro al color y a la inversa. El fotógrafo de la moda y de las modelos resulta repetitivo en esta muestra de 250 fotografías, revistas, trajes, filmaciones y objetos de la vida del alemán que en 1930 se trasladó a París como aprendiz del arquitecto Le Corbusier. Horst no iba para fotógrafo aunque al conocer al barón George Hoyningen-Huene, fotógrafo de Vogue, le despertó en él el interés por la fotografía. El barón se convirtió en su amor, maestro y colega profesional.
O pântano
Circula o rumor, astutamente organizado, de que António Guterres é um bom candidato à Presidência da República. Não o é. À menor contrariedade foge espavorido, como se viu quando perdeu as eleições municipais, e refugiou-se num chamado Alto Comissariado para os... Refugiados. É sempre assim: começa com um rumor, prossegue com um grupo de "notáveis" a apoiar, segue-se um abaixo-assinado, e as coisas vão rolando, a bel-prazer do contemplado.
Contrario, abertamente, esta estratégia, por muito ardilosa que os seus mentores a hajam congeminado. Guterres está longe de ser o homem que o momento exige. Carece de carácter, é um espírito flébil, pouco consistente e indeciso. Estou à vontade: votei nele, burlado pela paixão que, então, dizia "devorá-lo": a educação. Revelou--se habilidoso no uso do idioma, mas inútil, manietado e medroso como primeiro-ministro. Designou o País de "pântano", por não estar à altura das circunstâncias imprevistas. E demonstrou ser ressentido, rancoroso e vingativo, quando saneou Vasco Graça Moura das funções de comissário para as Comemorações dos Descobrimentos, porque o escritor criticava, publicamente, a política do Governo. Acontece que Graça Moura realizava um trabalho magnífico, a justificar o prémio e o elogio e não o olho da rua e a execração. Na altura, verberei a condenação absurda, injusta e muito pouco democrática, e deixei de apertar a mão ao saneador, que teve o descoco de afirmar que perdera a "confiança política" no saneado.
La vuelta al mundo de Julio Verne
Julio Verne. He ahí un tipo que descubrió el siglo XX dentro del siglo XIX, lo que viene a ser como adivinar la edad de los metales en medio de la edad de piedra. Supongamos que estás cortando un pedazo de carne cruda de jabalí con una grosera hacha de sílex conociendo ya intelectualmente la posibilidad del hierro. Lo lógico es que te lleven los diablos. A mí me parece que a Julio Verne le llevaban los diablos porque el traje del XIX le venía pequeño. Podría haber acabado en el frenopático, pero canalizó a través de la escritura la mala sangre que le provocaba vivir dentro de una época con cuatro tallas mentales menos de las que le correspondían.
Aun así, y pese al éxito literario, su vida fue en muchos aspectos un desastre. No se pierdan este fragmento, tomado de la Wikipedia, de una carta en la que le habla de sí mismo a su madre: “Una vida que limita al norte con el estreñimiento, al sur con la descomposición, al este con las lavativas exageradas, al oeste con las lavativas astringentes (…). Es probable que estés enterada, mi querida madre, de que existe un hiato que separa ambas posaderas y no es sino el remate del intestino. Ahora bien, en mi caso, el recto, presa de una impaciencia muy natural, tiene tendencia a salirse y por consiguiente a no retener tan herméticamente como sería posible su gratísimo contenido (…), graves inconvenientes para un joven cuya intención es alternar en sociedad”.
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