Um estudo europeu revela que os portugueses são dos povos mais tristes do continente. Não esclarece, o estudo, que medições foram utilizadas, que processos científicos, ou não, indicaram as razões dessa tristeza. Estes métodos comparativos surgem periodicamente e, às vezes, acertam; mas constituem, apenas, afirmações desasadas, produto da criatividade de quem os organiza. Unamuno, por exemplo, não escapou a generalizações, e escreveu que os portugueses são um povo de suicidas.
E os franceses tornaram conhecida a epítome tão absurda como abstrusa: "Les portugais sont toujours gais." Eduardo Cortesão, grande psicanalista, disse que nós, como os outros, éramos ciclotímicos. Sirva-se à vontade das definições quem o desejar e querer. Mas a nossa tristeza possui raízes sociais, políticas e religiosas facilmente entendíveis.
O cantochão, o hissope, a labareda inculcaram-nos o terror e o medo, pecadores infames e sem remissão. Em quase mil anos de história, e atendendo a todos os conceitos de liberdade conhecidos, temos quase sufocado com a falta dela e as imposições das classes dominantes. Não há que fugir a isto. Os grandes poetas não se calaram, apesar de tudo. De Camões a Sá de Miranda, passando por Bocage e, mais próximo, O"Neill, Armindo Rodrigues e José Gomes Ferreira, todos eles e muitos mais nunca foram cúmplices do silêncio, porque enjeitavam a vassalagem.
"Não hei-de morrer sem saber a cor da liberdade." Eis o grito de Jorge de Sena. "A tristeza é o vinho da vingança", cantou Carlos de Oliveira.
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