Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Coisa amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Abril de Abril

Abril de Abril

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.


Manuel Alegre
30 Anos de Poesia
Publicações Dom Quixote

terça-feira, 18 de março de 2014

Portugal

O teu destino é nunca haver chegada 
O teu destino é outra índia e outro mar 
E a nova nau lusíada apontada 
A um país que só há no verbo achar

domingo, 14 de julho de 2013

"O objetivo de Cavaco é entalar o PS"


Para Manuel Alegre, a decisão do presidente da República pretende colocar dificuldades ao Partido Socialista: "Ao transferir a responsabilidade para os partidos, mete no mesmo saco o PS e os dois partidos da coligação. O objetivo parece ser entalar o PS, pois se este aceitar um compromisso o PS fica amarrado ao Governo e chegará às eleições desgastado. Se não dialogar, será acusado pelo Presidente de virar as costas ao País."

sábado, 18 de maio de 2013

Manuel Alegre. "A esquerda em Portugal não serve para nada"



Tudo começa ou acaba nos sonhos. O último livro de Manuel Alegre faz deles matéria-prima de romance. “Tudo É e não É” fala-nos das ideias recorrentes que nos fazem humanos, da nossa tentativa de construirmos o sonho e fugirmos ao pesadelo. Esta entrevista mantém a mesma estrutura e aborda a literatura e a política, sempre entre o sonho e o pesadelo.

Ainda sonha?
Em relação aos sonhos propriamente ditos, sonho todas as noites, foi destes sonhos que partiu o livro. Noutro sentido, os sonhos estão mais complicados.