É preciso recuar uns bons anos, e à jovem e instável democracia de 1980, para se encontrar uma média tão má como a de Pedro Passos Coelho no que diz respeito a moções de censura às opções de política interna. O actual primeiro-ministro só é batido por Francisco Sá Carneiro, que só esteve no governo 11 meses (morreu em Dezembro de 80) e foi logo censurado. E - também à excepção do fundador do PSD - foi Passos que mais depressa viu a censura chegar à sua política: a primeira iniciativa do género chegou apenas um ano depois de ter tomado posse. Curiosamente, o remetente foi o mesmo, para os dois primeiros-ministros sociais-democratas: o PCP.
De quando em vez, vem-me à mente como hei-de classificar um Presidente da República, o nosso que, em dois anos consecutivos, promulga o Orçamento do Estado que, nalguns artigos, fere a Constituição da República?
Foi você que pediu um economista? Desta vez não foi um, mas 64 - muitos deles próximos do Presidente da República - que elaboraram um manifesto sobre o lema “Despesa Pública menor para um Futuro melhor”, onde dizem que o rei vai nu. Ou seja, separam o trigo do joio da actual governação e defendem que, apesar de todos os sacrifícios dos portugueses, as reformas estruturais estão por fazer. Patrício Gouveia, Cardoso e Cunha, Pinho Cardão, Sousa Lara, Ribeiro e Casto, Cadilhe, Beleza e Sofia Galvão são alguns dos nomes para quem é imperativo reduzir a carga fiscal, tornar atractivo o investimento, reduzir as rendas excessivas e reformar o Estado e as administrações públicas, o que, a não ser feito, fará com que a despesa volte aos níveis de 2010 depois da intervenção da troika. “Está aí a sorte dos governos, o que é o menos, mas sobretudo a dos portugueses, o que é o mais”, lê-se no manifesto que será apresentado quarta-feira.