Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Façamos um trato esta noite...

Façamos um trato esta noite... não sejamos tão realistas. 
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.

Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1047 - Parque Eduardo VII.

O PS numa encruzilhada

O PS ganhou, o PSD perdeu. Ambos estrondosamente. E nós? Pedro Passos Coelho, solene e severo, advertiu logo que tudo vai ficar na mesma, porque o "rumo prossegue". O líder "social-democrata" está no seu papel de duro e implacável, embora os resultados das eleições possam, e devam, ter uma interpretação nacional. Essa interpretação resulta numa evidência: o País está cansado deste Governo. Ante a insistente indiferença das palavras de Passos e o paulatino mutismo de Seguro, as horas têm decorrido na paz dos anjos.
O Executivo arrasta-se numa irremediável degenerescência, e estas eleições confirmaram o seu penoso estado cataléptico. A confirmar-se o que se pressente, o PS está à beira do poder, o que causa festiva perplexidade nos seus áulicos e razoável inquietação nos portugueses. Que fará António José Seguro nessa previsibilidade?

PAZ!


by Osvald

Escarpas

As minhas mãos escapam
pelas escarpas do seu corpo
e esculpem sensações indecifráveis
quando nos vemos nus em Vênus
ou nas vezes que navegamos até Veneza
descendo lentamente pelas correntezas do orgasmo.

Frases de Fernando Pessoa


terça-feira, 1 de outubro de 2013

E que faço eu com um Rato Mickey?

Diziam antes os analistas: "No domingo é que é a verdadeira sondagem!" Mas apareceu a sondagem - que não sem razão é palavra que vem de sonda, instrumento para nos indicar a profundidade das águas - e todos se puseram a contar os telhados das câmaras ganhas. Ora isto faz-se com os dedos, um ábaco ou com o calculator do telemóvel, soma-se e, em dando 150 para o partido mais votado e o partido seguinte ficar só com 106, ganha o primeiro. Não me dei ao trabalho de recontagens porque em questão de câmaras basta-me uma, onde moro (e fiquei bem servido).

Escuela Pública de Todos Para Todos


by Robert García

FOTOS MINHAS


photo: rogério barroso. Foto nº 1045 - Cais das Colunas.

Cantiga mundana

De teus olhos retirei a tristeza,
bebi as lágrimas salgadas;
lambi o abandono.

Ofereci esperanças, doei certezas -
segurança - e os lambuzei
com o mel dos meus.

Da tua boca seca arranquei
o riso louco de macho corno,
o sorriso morto de Prometeu.

Com os dedos refiz os sulcos
da boca ferida.
E com minha própria saliva
matei tua sede de vida.

Lavei tua alma, e a vesti
novamente em brios.
E - como se não bastasse -
a enfeitei com fios,
roubados, dos pêlos do homem
que, antes de ti, era o meu.

Te abri as pernas, as portas,
a seiva e a cama.
Te banhei no gozo de infinitas
noites profanas.
Te ninei em cantigas mundanas.

Depois de lavado, lambido.
Já saciado, curado, vestido.
Retornastes a teu destino
de animal predador.
Me deixando apenas alguns
pêlos dourados - que recolhi -
esquecidos no cobertor.