Footprints - Praia do Castelejo, Vila do Bispo, Algarve
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domingo, 8 de novembro de 2015

Cuando Neruda murió de fascismo




En el siniestro septiembre del 73, 22 días después del primer 11-S de una generación, murió el gran Pablo Neruda. Murió cuando los golpistas chilenos estaban fusilando impunemente y a mansalva. Se dijo entonces que Neruda había muerto de fascismo. Tantos años después, la frase parece encerrar una verdad profunda. Y no ya sólo por la "alta probabilidad", como reconoce un documento del gobierno chileno de este año, de que Neruda fuera envenenado de alguna forma, sino por la crisis en la que entró al saber los efectos del golpe de Estado y, en concreto, el asesinato de Víctor Jara el día 22.
Neruda y su misteriosa muerte vuelven a estar de actualidad. Ediciones B saca estos días la minuciosa biografía (más de 600 páginas) Neruda, el príncipe de los poetas, de Mario Amorós. El autor recuerda que, más allá del contencioso sobre la causa inmediata de la muerte del autor de Canto general, su libro es una investigación exhaustiva en 18 archivos de cuatro países, que le ha llevado mucho tiempo.

domingo, 28 de setembro de 2014

Cuerpo de mujer...

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O Pai

Terra de semente inculta e bravia, 
terra onde não há esteiros ou caminhos, 
sob o sol minha vida se alonga e estremece. 

Pai, nada podem teus olhos doces, 
como nada puderam as estrelas 
que me abrasam os olhos e as faces. 

Escureceu-me a vista o mal de amor 
e na doce fonte do meu sonho 
outra fonte tremida se reflecte. 

Depois... Pergunta a Deus porque me deram 
o que me deram e porque depois 
conheci a solidão do céu e da terra. 

Olha, minha juventude foi um puro 
botão que ficou por rebentar e perde 
a sua doçura de seiva e de sangue. 

O sol que cai e cai eternamente 
cansou-se de a beijar... E o outono. 
Pai, nada podem teus olhos doces. 

Escutarei de noite as tuas palavras: 
... menino, meu menino... 

E na noite imensa 
com as feridas de ambos seguirei. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Insecto

Das tuas ancas aos teus pés

quero fazer uma longa viagem.

Sou mais pequeno que um insecto.

Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centimetros queimados,
pálidas perspectivas.

Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!

Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.

Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os teus pés


Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouo levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.